- Queixa sobre disfunção erétil e ‘programa’ chegam ao Procon de Juiz de Fora
- Queixa sobre disfunção erétil e ‘programa’ chegam ao Procon de Juiz de Fora
Uma curiosa reportagem realizada pelo jornal Diário de Cuibá relatou recentemente reclamações inusitadas feitas junto ao PROCON de Mato Grosso. Entre elas, estava a da esposa insatisfeita com o resultado do potencializador de ereção usado pelo marido, e a da garota cujo cliente fugiu sem pagar o programa. Estimulada pela curiosidade, fui ao PROCON de Juiz de Fora, a fim de saber como se porta o juizforano diante de queixas relacionadas ao âmbito sexual. Curiosamente, o que eu encontrei não foi muito diferente: Carla Marques, Supervisora de atendimento da Agência de proteção e defesa do consumidor de Juiz de Fora, relatou-me que recentemente foram procurados por um senhor de oitenta anos, que se mostrava insatisfeito com a demora dos resultados de tratamento de combate à disfunção erétil realizado em uma empresa de outra cidade. Relatou-me também que eventualmente ocorrem denúncias masculinas contra garotas de programa que não cumpriram o combinado. Um outro caso relatado foi o da mulher que, mesmo constrangida, acionou o PROCON para reclamar da má qualidade do acabamento de um vibrador que danificou-se com o uso. De acordo com Carla, as ações só seguem trâmite na agência se houver relação de consumo, e o cidadão deve ter formas de comprovar que foi lesado.
Em dois dos casos acima, o ato lesivo seria difícil de ser documentado, podendo apenas ser relatado oralmente. A ineficiência do tratamento clínico é uma situação complexa, porque envolve a sexualidade e a qualidade de vida sexual apresentada pelo consumidor. Como terapeuta sexual, compreendo o nível de ansiedade que leva as pessoas ao consultório, mas é preciso ter paciência e coerência na criação de expectativas, afinal, há diferença entre a vida sexual ideal e a possível. A resposta sexual muda com a idade, e mesmo que o homem se sinta muito excitado, com o avançar da idade a ereção demora um pouco mais para acontecer, além de precisar haver estímulos diretos. Assim, aqueles homens que consideram que para ter bom desempenho é preciso apresentar uma ereção imediata acabam perdendo a paciência, ficam nervosos, e aí, sim, perdem a ereção. Além disso, pode ocorrer desta paciência faltar à parceira, que sabota, sem perceber, a competência masculina, através de cobranças diretas ou indiretas. Atrapalha também quando esta é muito inibida sexualmente, não correspondendo aos estímulos necessários para iniciar e manter a excitação e a ereção de seu parceiro. Assim, vemos que um tratamento psicológico não estabelece uma relação de consumo, e sim, de orientação e apoio sistematizado não só em relação ao parceiro, mas ao casal. Por isso, é muito importante ter cautela com empresas que propagandeam resultados fantásticos.
No caso dos homens que se sentem lesados em relação às garotas de programa, é importante considerar que o fato de não ser uma profissão regulamentada faz com que os homens tenham que confiar em suas parceiras verbalmente contratadas. E parece que este voto de confiança é mútuo, já que também há reclamações por parte delas, contra homens que saem correndo sem pagar – quando não as espancam e as roubam. Pensando nisso, Fernando Gabeira, deputado nascido e criado aqui em Juiz de Fora, criou um controverso projeto de lei, institucionalizando a prostituição como profissão. Caso queira ler mais sobre o assunto, clique em http://revistamarieclaire.globo.com/Marieclaire/0,6993,EML815233-1740,00.html, e leia um curioso debate entre ele e a psicóloga Nalu Faria, coordenadora de uma ONG voltada para os interesses da mulher, na Revista Marie Clair.
De qualquer modo, a busca pelo PROCON para resolver questões relacionadas à sexualidade ou exercício dela é algo positivo, uma vez que as pessoas estão passando por cima de seus constrangimentos para buscarem seus direitos – inclusive ao prazer. E é este mesmo movimento que faz com que as pessoas tomem coragem de se exporem e busquem ajuda terapêutica por conta de seus problemas sexuais: na maior parte das vezes, a solução do problema é mais simples do que a convivência com o ele.
(A mulher que reclamou quanto ao vibrador está satisfeita com o novo aparelho: recebido graças ao empenho do PROCON/JF).













