Em mais de uma década de pesquisas e prática clínica envolvendo a sexualidade, tive contato com variados tipos de casos clínicos: os meus, os dos colegas durante o mestrado, e de profissionais aos quais supervisionei e ainda supervisiono. Alguns me surpreendiam por suas características inusitadas, uma espécie de criatividade do destino ou qualquer outra coisa que se queira acreditar. Outros eram particularmente interessante pela sua característica constante, quase previsível, de desdobramentos das ocorrências na vida de determinados pacientes.
Assim, nestas crônicas, algumas histórias mais inusitadas são fatos reais, vindas a público com o total consentimento dos pacientes, sendo obviamente modificado nomes e retirado qualquer tipo de informação que possa identificar o real personagem. Outras, são como colchas de retalho, onde fui agrupando histórias com situações repetitivas e suas conseqüências.
A ideia de escrever estas crônicas é antiga. Por um lado, é um prazer pessoal revisitar certos lugares emocionais e rever certos caminhos que trilhei ao lado de alguns pacientes e colegas de profissão. Por outro, vem da constatação de que, através da mídia, encontramos várias fontes que pretendem nos ensinar como ter um sexo supostamente fantástico, ou best-sellers que justificam os estereótipos e tentam nos convencer que, ao nos adaptarmos a eles, e seremos mais felizes no amor.
Diferente de tudo isso, eu desejo mostrar com estas crônicas o sexo possível, não aquele efervescente das novelas, ou dos kama Sutras modernos. Eu espero que as pessoas possam enxergar a si mesmas, aos amigos, amigas, filhos... nada mirabolante, mas que possam perceber a linearidade da sexualidade, isto é, que refletimos no sexo aquilo que somos em relação à vida, e que qualquer mudança no sexo, para melhor, envolve também um investimento na vida como um todo. E, porque estamos sempre em movimento, um dia todos tiveram, têm ou terão alguma questão em relação à sexualidade, e que isso não é vergonha nenhuma. Espero, por fim, deixar a mensagem que, olhando de perto, a vida de cada um de nós dá uma ótima história.
