Leia aqui informações sobre os temas abordados no programa Sexcidade que vai ao ar diariamente às 15:00 e 19:00 na Rádio Cidade 100,1 Fm.
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sobre Mulheres, românticos e cafajestes!
Neste final de semana, em um pet shop, ouvi parte de uma conversa que achei muito interessante. A atendente conversava com um rapaz sobre moça que, deduzi, era conhecida por ambos. Ao que tudo indicava, esta última teria terminado o namoro com o rapaz para reatar com um antigo namorado. O jovem em questão lamentava-se com a amiga, dizendo que gostava dela, que a tratara muito bem, e que mesmo assim ela preferiu voltar pra o outro de quem ela tanto falara mal.
A atendente, querendo consolá-lo, disse que o problema não era com ele, que as mulheres gostavam é dos cafajestes.
Pensei comigo que naquele momento ela estava mais atrapalhando do que ajudando, e em como o nosso “sindicato” é desunido: não consigo imaginar um homem dizendo a uma mulher ferida que todos os homens são iguais… Dependendo da situação e da mulher, muito provavelmente o homem iria se oferecer para curar a ferida dela de “alguma” forma. Mas aquilo me fez pensar… O que faz as mulheres gostarem dos cafajestes?
Pensei nos cafajestes que conheci, nos casos de amigas e pacientes, e vejo que um dos aspectos do cafajeste que nos deixa “caidinha” é o fato deles saberem lidar tanto com o erotismo quanto com o romantismo. O cafajeste fala olhando nos olhos e no corpo com a mesma intensidade… Fixa na mulher como se ela fosse a única e a melhor mulher da face da terra. Arrisca-se para vê-la, surpreende. Para conquistá-la, usa artilharia, cavalaria pesada, lança mão de batedores, tenta adivinhar seus próximos passos para antecipar-se. Descobre tudo sobre ela através dela mesma, pois quer descobri-la, desarmá-la.
E a pegada? Ah, a pegada… tem uma firmeza que diz –“ você é minha, não se esqueça”! Isto é muito quente… mas também é…romântico! A mulher acredita, tanto porque quer acreditar, quanto porque, na maioria das vezes, também para o homem aquilo é real, mesmo que seja somente naquele momento. Esta sensação intensamente verdadeira torna alguns momentos mágicos, e seguimos no afã de mantê-los para sempre. O problema é que ele não faz isso com uma mulher só…: digamos que ele seja… hum…socialista em suas atenções!!! …
Namorar um cafajeste dá um trabalho!!! Falta a compromissos, desaparece e reaparece como se nada tivesse acontecido… A impressão que se tem é que ele quer desestabilizar a relação para ter que reconquistar. Porque o cafajeste é um conquistador, não é um administrador. E manter uma relação exige uma boa administração. Neste ponto, talvez o cafajeste seja o maior dos românticos, no sentido literário: há uma fuga, seja para o passado, ou para o futuro, mas ele nunca está inteiro na relação do momento. A maior vítima do cafajeste acaba sendo ele mesmo, pois após algumas frustrações, as mulheres sensatas vão percebendo que a magia da conquista é importante, mas ter alguém que invista na relação é essencial. E suas vidas seguem seus rumos enquanto o cafajeste prossegue colecionando suas conquistas, mas tendo como parceira fixa somente aquela angústia que sentimos quando temos fome de uma coisa, mas não sabemos bem o que é.
Mas quando a “cafajestagem” é apenas uma fase, também homem segue seu curso, deixa-se “domesticar”. E abre mão da conquista, da sedução, pois já tem a mulher que quer. Mas esta mulher, mesmo tendo mais segurança na relação, bem que sente falta daqueles momentos mágicos propiciados pelo seu adorável cafajeste…
